sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Ruptura e cena-cyber contemporânea

“Labirinto” um dos estágios pelo qual Augusto passa dentro do Second Life



Stultifera Navis - espaços comunicantes de Brant e Gutenberg, ao espaços virtuais da WEB.
 
Das Narrenschiff , também conhecido com o nome latino de Stultifera Navis (edição de 1497), é um livro escrito por Sebastian Brant em 1494. Trata-se de um extenso poema que faz o inventário de 110 vícios morais e pretensões mundanas da época, tais como barulho dentro da igreja, casório por dinheiro, arrogância, etc. As descrições de Brant reunem-se no tema de um grande cortejo de loucos: todos são embarcados numa nau que navegará até a mítica "Narragônia", ilha em que seriam reunidos todos os vícios.(http://catatau.blogsome.com/2006/06/06/sebastian-brant-stultifera-navis)
 

A tradução ao latim deste livro de Sebastian Brant , e a popularização do texto impresso com a invenção da tipografia por seu contemporâneo Johannes Gutenberg, abre-nos um paralelo à criação quando nos propomos a nos comunicar usando as linguagens do nosso tempo; o livro e as gravuras de Stultifera Navis - a maior parte delas, supõe-se que sejam feitas por Albrecht Dürer - é um dos guias para a criação do espetáculo Morgue insano and cool e conseqüentemente para a monografia que publicarei sobre o processo.

A dramaturgia é um dos pontos de foco deste processo, há um material rico a exemplo do texto que segue abaixo; transitando entre experiências humanas diversas e imbricadas com a tecnologia onde foram gerados os diálogos; a simples leitura nos mostra as inúmeras possibilidades de abordagens cênicas, que permeiam conflitos psicológicos, mas de maneira ainda mais instigante e contundente nos sugerem “verbos” “imagens” “lugares”.
 
Uma conversa no Second Life:


[21:44] Augusto: oi dr tb?

[21:44] Leandrosp Schumann: oi como vai?

[21:44] Leandrosp Schumann: to bem

[21:45] Augusto: entrei pra dar uma volta antes de dornir

[21:45] Augusto: e vc aprontando muito?

[21:45] Leandrosp Schumann: nem to cara rs

[21:45] Leandrosp Schumann: e vc?

[21:46] Leandrosp Schumann: to mais no lance de emprego agora

[21:46] Augusto: hum sei só eu q apronto aqui rsrsrs o q vc ta fazendo?

[21:46] Leandrosp Schumann: papeando com amigo

[21:47] Augusto: encontrei suas amigas hoje cedo

[21:48] Augusto: e conheci o Tecyo

[21:48] Leandrosp Schumann: legal

[21:48] Leandrosp Schumann: asbe de alguma festa ou qq coisa que estaja interessante?

[21:49] Leandrosp Schumann: *sabe

[21:49] Augusto: to dando uma olhada

[21:50] Augusto: mas ta td meio caido

[21:50] Leandrosp Schumann: ta mesmo

[21:50] Leandrosp Schumann: acho que é a hora

[21:51] Augusto: com certeza são quase duas.....

[21:51] Leandrosp Schumann: nossa entro as 4!

[21:51] Leandrosp Schumann: a hora não passa

[21:51] Augusto: vc fica acordado direto/

[21:51] Leandrosp Schumann: fico

[21:52] Leandrosp Schumann: depois para 24 hrs

[21:52] Augusto: dorme q horas?

[21:52] Leandrosp Schumann: variado

[21:52] Augusto: ok

[21:52] Augusto: vc ta no trabalho é isso? ou vai pro trampo?

[21:52] Leandrosp Schumann: estou de plantão por chamada de tel

[21:53] Leandrosp Schumann: depois entro em plantão normal

[21:53] Leandrosp Schumann: trago o lap top pra não dormir

[21:53] Augusto: vc é um heroi ....eu morria

[21:53] Leandrosp Schumann: rs

[21:53] Leandrosp Schumann: que nda na hora que vem internação o sono some rapidinho rs

[21:54] Augusto: vai olhar esse lugar

[21:54] Leandrosp Schumann: vou

[21:54] Leandrosp Schumann: obrigado

[21:54] Augusto: é um caso médico

[21:54] Leandrosp Schumann: ????

[21:54] Leandrosp Schumann: aqui?

[21:54] Augusto: gente louca e nua pra todo lado

[21:55] Leandrosp Schumann: kkkkkkkkkkkkkkkkk
 
[21:55] Augusto: digno de estudo


[21:55] Leandrosp Schumann is typing...

[21:55] Leandrosp Schumann: acredita?

[21:56] Leandrosp Schumann: nem queira saber

[21:57] Augusto: o q?

[21:57] Leandrosp Schumann: as analises que fizeram

[21:58] Augusto: sobre nós?

[21:58] Leandrosp Schumann: vira uma caixa de pandora

[21:58] Leandrosp Schumann: isso

[21:58] Leandrosp Schumann: quem não aceita analisa como um monstro ameaçador

[21:58] Leandrosp Schumann: quem aceita o ve como mais um objeto de tranfrencia

[21:58] Leandrosp Schumann: *tranferencia

[21:59] Augusto: enquanto isso a tia Rita tem razão

[21:59] Leandrosp Schumann: como assim?

[22:00] Augusto: mais louco é quem me diz....que não é feliz, e eu sou Feliz conhece a música?

[22:00] Leandrosp Schumann: sim rs

[22:00] Leandrosp Schumann: verdade

[22:00] Leandrosp Schumann: enquanto não fere, da prazer ta valendo

[22:02] Augusto: o que será q diriam se soubessem que estou apaixonado por um rapaz que começou sendo menina, teve uma filha, depois virou menino, e no fim é só uma imagem bonitinha perdida no fundo de uma tela rsrsrsrs

[22:02] Leandrosp Schumann: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
 

... em Brant e Erasmo, a função da loucura é diversa, segundo Foucault. Não é mais "trágica", mas "crítica": a loucura não é sabedoria, mas irrisão; não demonstra nenhum ensinamento, mas é precisamente o oposto do ensinamento. A Nau de Brant trata de uma sátira moral, não a favor da loucura, mas contra ela: os poemas mostram pretensões inúteis, falsas, vãs, errôneas, vagas, e o ensinamento figura não sob algum segredo que possa ser contado pela loucura, mas na ironia daquele que não se deixa enganar. Esse é o conteúdo "pedagógico" das gravuras, que pode ser visto já na primeira, sobre o sábio. Conforme Foucault, esse elemento "crítico" da loucura prevalecerá sobre o "trágico", na história, em certo sentido abrindo o espaço em que serão tornadas possíveis as experiências modernas da loucura.
fonte: http://catatau.blogsome.com/2006/06/06/sebastian-brant-stultifera-navis



LXIII. Of Star-Gazing
Woodcut attributed to Albrecht Dürer



quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Que bichos são esses?


Os meus neurônios estão fervendo, como nanos-insetos misturando os lados do meu cérebro, a foto acima é de uma festa no GLAAM CLUB , localizado na Ilha GLOOM!, boa música, avatares incríveis , chat animado, lugar de encontrar amigos e paquerar... ... arrasar usando as novas danças da AKEYO.
E tentar adivinhar quem esta atrás do teclado ...que bichos são esses?

Segue links de textos incríveis sobre o assunto.

Realidade virtual: conceito e tendências
http://www.sbc.org.br/cerv/documentos/livro_pre_simp-2004.pdf#page=12

Claudio Kirner, Romero Tori - editores
São Paulo: Editora Mania de Livro,2004
“Livro do pré simpósio,VII Symposiumon Virtual Reality”
Bibliografia.1.Realidade virtual I Kirner, Claudio.II.Tori,Romero.
04 - 6976CDD - 006ISBN 85-904873 -1- 8

Realidade Aumentada no Desenvolvimento de Jogos em Primeira Pessoa
http://www.realidadeaumentada.com.br/artigos/WARV%5B1%5D.pdf

Ezequiel Roberto Zorzal
Eduardo A. Queiroz
Arthur A. Bastos Buccioli
Marcelo Paiva Guimarães
Claudio Kirner

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A Máquina Fantástica


Agora começo a tentar entender os conceitos de:
RV = Realidade Virtual é uma interface avançada para aplicações computacionais, onde o usuário pode navegar e interagir, em tempo real, em um ambiente tridimensional gerado por computador, usando dispositivos multisensoriais. [KIRNER, C. et al. (1995); PINHO, M.S.; KIRNER, C. (1997); KIRNER, C.; PINHO, M.S. (1997)].


RM = Realidade Misturada é a sobreposição de objetos virtuais gerados por computador com o ambiente físico, mostrada ao usuário, em tempo real,com o apoio de algum dispositivo tecnológico. A Realidade Misturada apresenta duas modalidades: Realidade Aumentada e Virtualidade Aumentada. [KIRNER, C. ; TORI, R. (2004)].


RA = Realidade Aumentada é a inserção de objetos virtuais no ambiente físico, mostrada ao usuário, em tempo real, com o apoio de algum dispositivo tecnológico, usando a interface do ambiente real, adaptada para visualizar e manipular os objetos reais e virtuais. [traduzido de KIRNER, C.; KIRNER, T.G. (2007)].


VA = Virtualidade Aumentada é a inserção de representações de elementos reais no mundo virtual, usando a interface que permite ao usuário interagir com o ambiente virtual. [traduzido de KIRNER, C.; KIRNER, T.G. (2007)].


Logo colocarei aqui links para varios sites que tratam do assunto, estou somente começando a vislumbrar esse universo... e fui buscar na memoria no longínquo 1983, minha edição rabiscada e cheia de dúvida de Lá Invención de Morel de Adolfo Bioy Casares, e de novo na WEB colhi esse trecho de Ivone C Benedetti no blog: Universo Fantástico http://universofantastico.wordpress.com/2009/08/


“...Num espaço em que convivem dois planos (um projetado e outro dado como real pelo senso comum), num espaço dividido, o narrador não sabe em qual dos dois vive, ou melhor, na maior parte do tempo acha que vive nos dois; melhor ainda: acha que só há um. O que entra pelos sentidos do narrador-personagem é estranho e apresentado ao leitor sem nenhuma decodificação. Portanto, este fica à mercê das informações colhidas por aquele, participa de seu esforço para interpretar uma realidade hermética...” (se eu trocar a palavra “leitor” por “espectador” ou “testemunha” da performance acho que começa a ficar claro)


Lembrar que esse livro foi lançado em 1940 e por obra e graça do destino caiu na minha mão quando eu tinha somente 16 anos, e agora esta aqui 26 anos depois , posto que tenho 46 anos, ao lado do meu notbook ajudando a compor essa tarefa “...tempo tempo tempo tempo...por seres tão inventivo e pareceres continuo...” Caetano.

O que é mesmo ?


Já começamos a experimentar nossa performance , por duas vezes convidei pessoas para assisti-la; aconteceram em duas quintas as 2Oh no Casarão do Boneco, gentilmente cedido por Anibal Pacha http://anibalpacha.blogspot.com/e os amigos do Grupo “IN BUST Teatro com Bonecos”http://www.inbust.com.br/


A experiência tem confirmado nossa fascinação com a tecnologia, e também nossa facilidade em incorporar “gadgets” no cotidiano, meus experimentos me dizem que há sim um terreno virtual a ser explorado e pessoas dispostas a se tornarem pioneiras “cybercolonizadoras”.


No primeiro ensaio-performance a Marcia Lima participou com seu avatar Aradya Fayray, um anjo, quase um Caronte me conduzindo por uma caverna submersa na Ilha GLOOM! Que é parte do cenário usado na performance; há nesse experimento uma sensação de abismo, tateamos, ou melhor digitamos, algumas sentenças e esperamos por respostas, que são ainda apenas esboços, croquis abstratos, porém com força suficiente para fazer a viagem valer; como quando desembarcamos em uma cidade desconhecida olhando suas ruas que não sabemos direito onde vai dar, mas que temos a certeza que é realmente o caminho para o lugar onde queremos ir.


Nos dois momentos a atriz Ester Sá participou de maneira brilhante por meio do MSN, criando verdadeiras “Alices” em um mundo virtual ao qual tínhamos acesso através do “espelho-buraco” criado por uma WEBCAM, nossa pequena platéia de convidados comportou-se como verdadeiros Coelhos Brancos reagindo a situação em total sintonia.


Leo Bitar, Sônia Nascimento, e Cristina Costa também estavam presentes, ajudando a recriar o mundo, pois isto é o que sabemos fazer; afinal responda-me quem for capaz: o que é mesmo essa tal de vida real ?

M. I. C. é um espetáculo , no qual o ator utiliza a internet, câmera em “tempo real”, e personagens em um mundo virtual (Second Life - http://secondlife.com/). Este projeto visa revelar os meios de criação e produção deste espetáculo em que vários meios midiáticos são utilizados para a concepção e apresentação da obra, onde se mesclam as linguagens do teatro, da performance, das artes visuais e musicais, para criar um construto.

A matéria específica deste construto serão arquivos de texto, vídeos, sons, fotografias e desenhos obtidos durante o processo de criação deste espetáculo trans-tecnológico. A memória de sua construção estará posta à público tanto quanto as apresentações em si. Este hipertexto colocado em site na WEB estará disponível a qualquer um que queira se aventurar às entranhas sinestésicas dessa criação; que poderá também ser impressa, de forma a maximizar e democratizar o acesso ao conhecimento da obra.

Conceber este construto é um recorte no trajeto de Nando Lima, artista que por 24 anos vem atuando nas mais variadas funções: como artista visual, performer, cenógrafo, dramaturgo, diretor ou produtor artístico, construiu um rizoma que se finca em todo e qualquer terreno passível de construção de imagens e com ênfase no território teatral. Aqui, vamos além disso, adentraremos no pomar dos frutos proibidos do teatro Trans-tecnológico, e da análise que disseca o cerne da criação, para além da casca brilhante do espetáculo.